sábado, 6 de fevereiro de 2010

A CIDADE QUE EXISTIU POR DETRÁS DE MIM


Celebro o nascimento de um novo homem, o protótipo isento de sensibilidade, saudável, amoral, dominador, livre de obstáculos. Condeno o excesso de honestidade dos burgueses, o cheiro a falsidade. Na cidade tudo mexe, sente-se o cheiro do carvão, a pena não pára e a tinta corre nos papéis. É verdade, o cérebro está mais livre, ocorrem-me novas ideias.

Sinto-me estupidamente excêntrico, invadido por uma morbidez Snob de um saturado da civilização, sinto a embriaguez do Ópio e dos sonhos de um Oriente que já não existe, o horror à vida, o realismo satírico de uma desumanização total. É a «Decadência» que mata a Decadência no Século da «Decadência».

Na Arte tudo é moderno, desenvolve-se o jogo das cores, o som das palavras e cria-se a sensação de dinâmica que lembra a vibração nocturna dos arsenais e dos estaleiros. Agora são as máquinas que reinam na sociedade que se tornou industrial. O orgulho começa a desfilar pelas ruas. Ou talvez não? Mesmo assim julgo que apenas poucos têm capacidade para o observar?

Viva a transformação, viva o que é moderno, viajar ainda é viajar e o longe está sempre onde esteve. Em parte nenhuma graças a Deus. Tudo vale a pena, é melhor o impreciso que embala do que o certo que basta. Apetece-me partir sair por aí, alcançar a distância abstracta, SONHAR. O sonho é ver as formas invisíveis da distância imprecisa, não pensar. Porque pensar é duvidar e crer é morrer, então a fé é apenas o pensamento a querer enganar-se eternamente.

Sinto a brisa, o ar livre e o canto das gaivotas, amo as cores, a comunicação, as imagens, a luz transcende-me. Gosto do Sol !!! Quando raia a manhã, raia sempre no mesmo lugar, gozo os seus momentos orgíacos de delírio, de imaginação, é um ritmo amplo em que os meus pensamentos se sucedem desordenadamente, em caudal, repetidos quando não ocorrem outros, mas repetidos. Oscila entre o filosófico e o quotidiano charro.

Nas colinas da cidade, a silhueta do castelo disfarça um sentimento que acabou de chegar. Pequenas tertúlias debatem as novas correntes e o pensamento é invadido por todos os «...ismos» europeus. Discute-se a humanidade ou apenas Arte.

Apesar da agitação estou confortável, …. Não me apetece voltar aos meus dias!!!

1 comentário:

  1. gostei luis
    vou acompnhar e linkar para o http://soplanicie.blogspot.com/
    bj
    rosal

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