domingo, 14 de novembro de 2010

O BRILHO DA NOITE



A tarde já se despediu e o ambiente já é lunar,
pinturas de cor enchem os céus.
Silhuetas que desaparecem, luzes que nascem.
O imenso mar que beija a cidade,
tão imenso que guarda memórias.
Memórias de navegadores, memórias de viajantes,
ou talvez memórias de uma qualquer descoberta.
Assim mesmo, tão imenso que desaparece na noite.

domingo, 11 de abril de 2010

A QUINTA DA REGALEIRA - I PARTE

O Palácio da Quinta da Regaleira é o edifício principal e, a par dos túneis e poços iniciáticos, um dos lugares mais conhecido da Quinta .
Também é mutas vezes apelidado de Palácio do Monteiro dos Milhões, denominação esta associada à alcunha do seu primeiro propretário, António Augusto Carvalho Monteiro. O Palácio encontra-se situado na encosta da serra de Sintra e está, desde 2002, classificado como imóvel de interesse público.

Carvalho Monteiro, ajudado pelo arquitecto italiano Luigi Manini, conseguiu construir na sua quinta de 4 hectares, o palácio, os jardins luxuriantes, os lagos, as grutas e os edifícios enigmáticos. Todos estes lugares escondem significados relacionados com a Alquimia, a Maçonaria, os Templários e o Rosacrucismo. De salientar que a construção da quinta assenta em traçados que evocam a arquitectura românica, gótica, renascentista e manuelina.
Inserida num micro-clima quase único e característico da serra de Sintra, a quinta possui luxuriantes jardins e os nevoeiros, uma presença quase constante, adensam ainda mais a sua aura de mistério.
A documentação histórica relativa à Quinta da Regaleira é escassa antes da compra por Carvalho Monteiro, mas sabe-se todavia que, em 1697, José Leite adquiriu uma vasta propriedade no termo da vila de Sintra que corresponderia, aproximadamente, ao terreno que hoje integra a Regaleira - a esta data parecem remontar, pois, as origens de tão misterioso lugar. Francisco Alberto Guimarães de Castro comprou a propriedade - conhecida como Quinta da Torre ou do Castro - em 1715, em hasta pública e, após as licenças necessárias, canalizou a água da serra a fim de alimentar uma fonte ai existente.
Em 1800, a quinta é cedida a João António Lopes Fernandes estando logo, em 1830, na posse de Manual Bernardo, data em que tomou a designação que actualmente possui. Em 1840, a Quinta da Regaleira foi adquirida pela filha de uma grande negociante do Porto, Allen, que mais tarde foi agraciada com o título de Baronesa da Regaleira. Data provavelmente deste período a construção de uma casa de campo que é visível em algumas representações iconográficas de finais do século XIX.
A história da Regaleira mais actual principia em 1892, ano em que os barões da Regaleira vendem a propriedade ao Dr. António Augusto Carvalho Monteiro por 25 contos de réis.
O célebre "Monteiro dos Milhões" nasceu no Rio de Janeiro em 1848, filho de pais portugueses, que cedo o trouxeram para Portugal. Licenciado em Leis pela Universidade de Coimbra, Monteiro foi um distinto coleccionador e bibliófilo, detentor de uma das mais raras camonianas portuguesas, homem de cultura que decerto influenciou, se não determinou mesmo, parte bastante razoável do misterioso programa iconográfico do palácio que construiu para si, na encantada serra de Sintra.

OS MISTÉRIOS DA SERRA DE SINTRA
A mística de Sintra desperta grandes paixões e experiências que podem enriquecer qualquer pessoa que pocure, em si mesmo, ou no universo, o mistério do oculto e do alquímico.
O nome "SINTRA", provém do arábico Xentra mas também tem uma relação com a deusa lunar Cyntia, daí muitas vezes a serra de Sintra ser denominada por "O Monte da Lua" . No seu sentido mais esotérico muitas analogias se podem fazer e que vão desde o Palácio da Pena ser o palácio do Graal como na obra "Parzifa", ou a Quinta da Regaleira ser uma mansão filosofal repleta de simbologia esotérica e alquimica, enfim, as analogias como base fundamental do esoterismo são aqui intermináveis e muito imaginativas.
Nesta área e para o viajante mais curioso e filosófico, pode percorrer todo o percurso esotérico e vivenciar as energias de determinados locais em consonância com os 7 planetas alquímicos e tendo como base o seguinte percurso:

Sol - Castelo dos Mouros
Lua  - Santa Eufémia
Marte - Palácio da vila de Sintra
Mercúrio - Quinta da Regaleira
Júpiter - Palácio da Pena
Vénus - Lagoa Azul
Saturno - Peninha

Tendo conhecimento das energias envolvidas nos planetas e sua simbologia, será interessante vivenciar as energias dos locais referidos e descobrir que a analogia não é casual.
De referir ainda que Sintra , juntamente com Tomar e Sagres fazem parte de um triangulo de forças, sendo que :

Tomar - Pai - Prana
Sintra - Mãe - Fohat
Sagres - Filho - Kundalini

UM PERCURSO ESPIRITUAL E ALQUIMÍCO
O percurso pela deslumbrante Quinta, não deixa de carregar em si uma enorme aura simbólica onde nos surge uma concepção do mundo de natureza espiritual e maçónico-templária, se bem que, uma notável vertente católica e monáquica. É ainda possível detectar um percurso iniciático e geneticamente alquímico-rosacruciano.
Vamos então partir à descoberta destes ambientes tão misteriosos e abordar as diferentes perspectivas  de alguns dos seguintes elementos:

No tecto do escritório encontramos uma pintura com as três graças maçónicas, Força, Sabedoria e Beleza, os três pilares da maçonaria de São João.
A sala de Caça do Palácio revela-se um verdadeiro templo maçónico; A Oriente, lugar de onde vem a luz e a sabedoria, a Sofia. A Norte (a coluna dos Aprendizes) com Monteiro segurando os dois cães. A Ocidente, onde a luz morre, a cabeça de um veado, e a Sul, onde o aprendiz passará a companheiro, a presa que será caçada através da busa do iniciado.
A Capela ostenta logo à entrada um triângulo com o olho de Deus - o "Delta Luminoso" na termiologia maçónica - com a Ordem de Cristo.  No chão temos as cruzes templárias cercadas por estrelas de oito pontas e pentagramas. À entrada para a criptra existe uma porta com um pentagrama e a cripta - com um altar debaixo do altar da Capela - têm um ladrilhado alternado a preto e branco , tal como  pavimento mosaico do templo maçonico.
Passando pelo jardim reparamos que existe um conjunto escultórico de dois bancos - numa alusão à Divina Comédia de Dante - com Beatriz ao meio e acompanhada por dois galgos (macho e fêmea) e por cinco ameias de cada lado. Estamos então em presença do "515" il messo di Dio, o mensageiro de Deus. Esta representação do enigmático "515" da Divina Comédia pode ser decifada da seguinte forma: Um dos "5" refere-se ao mundo interior da matéria, o "1" que está ligado ao mundo intermédio alma, ficando o último "5" relacionado com o mundo superior do espíito. Voltando ao conjunto escultórico, a figura central - o "1" - é Beatriz, a alma do iniciado, a Sofia que concede o Conhecimento. Os galgos simetricamente dispostos de um e de outro lado - "de Beatriz"  e separados por "5" ameias.

O PAGANISMO E A NATUREZA ALQUÍMICA - Referências ao Paganismo, uma presença forte através de inúmeras estátuas no Patamar dos Deuses, as quais a mais próxima do Palácio é a de Hermes/Mercúrio, seguida por outras como Vulcano, Baco/Dioniso, Pã, Vénus ou Orfeu. Subindo um pouco a encosta encontramos a Gruta de Leda onde se celebram os amores do rei dos deuses, Zeus, aqui disfarçado de cisne, que morde (fecunda) Leda - O Fogo Divino fecunda a Matéria. Esta analogia simbólica, não religiosa, de um tema mítico do Paganismo, está em relação directa com  alguns dogmas do Cristinismo, como é exemplo a concepção de Leda fecundada por Zeus, em oposição a Maria por "Obra e Graça de Espírito Santo". A Gruta de Leda é um dos mais importantes símbolos da natureza alquímica da Regaleira. A sua forma hexagonal, remete-nos para a estrela de seis pontas, o símbolo da união do céu e da terra.

 Continua(...)

Na II PARTE ....
"É preciso descer lucidamente os poços com degraus e reencontrar os seus estados sucessivos..."

sexta-feira, 5 de março de 2010

O OBELISCO DOS RESTAURADORES

O obelisco dos Restauradores em Lisboa e situado na praça do mesmo nome, é um majestoso monumento que, curiosamente ou não…. mede 33 metros de altura.
Simbolicamente celebra a Restauração da Independência de Portugal, depois de 60 anos de domínio espanhol (1580- 1640), é adornado nos lados norte e sul com dois anjo, sendo o anjo masculino da autoria de Alberto Nunes e o anjo feminino realizado por Simões de Almeida.
O obelisco deve-se a António Tomás da Fonseca e foi construído em 1886 por subscrição nacional, promovida pela comissão central do 1.º de Dezembro.

O Anjo Masculino
Representa o Génio da Independência representado por Prometeu liberto pelo seu Irmão Epimeteu.
Mercúrio Prometeu é a denominação de Mercúrio quando este aparece como estrela matinal. Prometeu é uma palavra grega (Προμηθεύς) que significa "premeditação", reflexão prévia. Na mitologia foi Prometeu quem roubou o fogo e o entregou aos homens. Dai a designação para o Mercúrio matinal ou oriental, por considerar que os nascidos sob esta configuração têm uma mentalidade mais avançada, progressiva. Por outro lado, Prometeu seria a mentalidade mais introvertida. Seria o tipo de mentalidade despreocupada com normas e tradições, despreocupada inclusive com o passado. A preocupação de um Mercúrio do tipo Prometeu é a da preparação e antecipação para o futuro. Ele é o que pensa antes de agir.

O Anjo Feminino
Representa a contraparte do Senhor da Luz Restauradora, a Rainha do Mundo, Io, Ísis ou Algol, podendo-se corporificá-la também como a "Luxcitânea(1) Triunfante", a Entidade que coroa e abençoa Lisboa, Portugal e o Mundo com a Palma da Vitória. Na destra ela segura o laurel da mesma Vitória Nacional e Espiritual, a grinalda expressiva de "A Grande Mãe", estando as restantes predispostas em grupos de três nos pontos cardeais do monumento.
As Armas nos lados deste assinalam as forças temporais da guerra e da morte derrotadas pelos poderes intemporais da razão e do espírito, estabilizados no pólo de atracção energética que é o Obelisco.

(1)Luxcitânea (Lusitânia) – Terra dos Filhos da Luz

domingo, 14 de fevereiro de 2010

SIMBOLISMO OCULTO DA BAIXA POMBALINA

"Não procures nem creias: Tudo é oculto"
                                                              Fernando Pessoa

Numa altura em que muitos escritores se debruçam sobre os segredos de algumas sociedades ocultas, bem como em torno do que muitos dizem ser as novelas da teoria da conspiração, lanço aqui um desafio de raciocínio, uma pequena reflexão sobre alguns sinais ocultos na baixa pombalina. Com este juízo, podemos, se quisermos, encarar um dos locais mais nobres da cidade de Lisboa como um local de culto, um local simbolicamente muito forte, um templo hermético a céu aberto. Desta forma, é-nos permitido um contacto livre, uma tomada de consciência pessoal para o espaço que nos rodeia.
Sebastião José Carvalho e Melo, que popularmente ficou conhecido por Marquês de Pombal, reconstruiu a Lisboa no pós terramoto à proporção de um grande templo e, segundo alguns autores e especialistas na matéria, à luz da Geometria Sagrada, tendo como cálculo base o número de ouro – 0,618033989… - ou seja, foi com base nesta proporção perfeita, que toda a baixa foi reedificada. Assim, Lisboa actual em comparação com a Lisboa de antes do terramoto de 1755, e tendo como ponto de medida o eixo que divide a actual Rua Augusta, o mesmo foi rodado 13º em relação ao Norte. Partindo deste pressuposto, somos levados a respeitar o elevado valor filosófico-hermético que orientaram os trabalhos de quem se dignou a erguer tamanha obra.

LISBOA: Decifrando Lisboa - (Lis+Boa) - teremos a resposta para a sacralidade expressa no seu nome. A Flor de Liz, símbolo de Iniciação e Mistério, representa o Sol Tríplice ou Santíssima Trindade, traduzida na figura pontifícia e imperial de Melki-Tsedek.
O termo “Boa” além de designar a “água” designa também a coluna salomónica Boz ou Boaz, pilar de Deus sito aos pés do Tejo, no Cais, portanto lugar representativo da cidade. Indicando a Beleza Universal, nela está a Força e o Rigor com que termina o nome de Lisboa e nessa coluna, a cidade de Lisboa, aos pés do Tejo finda.

AS SETE COLINAS: Lisboa, como todas as cidades de sete colinas, Jerusalém e Roma por exemplo, é considerada pela Tradição Teúrgica uma urbe sagrada.

PRAÇA DO COMÉRCIO - A ENTRADA DO “GRANDE TEMPLO”
A Praça do Comércio ou Terreiro do Paço foi construído segundo o sagrado Livro de Thot, mais conhecido pelo nome de Tarot.

Foto: Paulo Guerra
O CAIS DAS COLUNAS: Para quem entrava por mar, a entrada no “Grande Templo” fazia-se pelo Cais das Colunas. Colunas essas tão caras à simbologia maçónica e que aqui poderão representar as colunas do Templo de Salomão, as Colunas B e J, Boaz e Jaquin respectivamente.
As duas colunas sintetizam as duas polaridades de rigor e misericórdia, de força e beleza. A coluna B significa a força e a coluna J a estabilidade.
A coluna é um dos elementos fundamentais da arquitectura, assegurando a solidez e a estabilidade de suporte do edifício. Existem diversas referências que consideram as Colunas B e J como uma representação das colunas antediluvianas construídas para salvar os aspectos essenciais da ciência e do conhecimento.
Simbolicamente toda a Praça do comércio se encontra "Entre Colunas".
Nota: .'. Na Maçonaria "Entre Colunas" quer dizer - Em Segredo, entre Irmãos .'.

TORREÕES DOS MINISTÉRIOS: Quem estiver no Cais das Colunas e de costas para o Rio Tejo observa a oriente e a ocidente os torreões dos ministérios, simbolizando igualmente as Colunas B e J. Aliás, pormenor que pode ser observado por foto aérea ou em planta e onde se pode reconhecer o desenho dessas letras.

ARCO DA RUA AUGUSTA: Deixando toda a praça para trás temos pela frente o Arco da Rua Augusta, arco esse suportado por duas imponentes colunas.
Este obra de arte tem um profundo significado esotérico. Todas as cidades alicerçadas sobre sete colinas possuem o seu Arco do Triunfo ou da Salvação. O de Lisboa é a síntese sagrada e também estética dos demais espalhados pela Europa e Médio-Oriente. Designa o Umbral dos Mistérios, a passagem das trevas para a Luz, da morte para a Imortalidade, que a Sabedoria das Idades concede.

17, O ARCANO DA "ESTRELA DE MAGOS"
Portugal, país sob o biorritmo do valor 17, o Arcano da "Estrela dos Magos", é em termos astrológicos guiado por Peixes e Júpiter, enquanto Lisboa é regida por Balança e Vénus, que por sua vez tem na águia o seu símbolo supremo. É exactamente essa águia que encontramos no cruzamento da Rua de S. Nicolau com a Rua Augusta, na esquina, e configurando o Nascimento para a Luz Augusta, indicadora da Perfeição Humana.
Na quadrícula da Baixa, sete ruas longitudinais cruzam-se com sete ruas transversais, intersectadas por três praças: assim se encontra, de novo, 17, o número da "Estrela dos Magos". E os nomes das ruas remetem para a terminologia alquímica - Rua do Ouro, Rua da Prata - que tem o seu desfecho na arquitectura da Praça dos Arcos.

OS ARCOS DO TERREIRO E OS ARCANOS DO TAROT
Passadas que foram as colunas de entrada no templo, encontramo-nos no centro do Terreiro do Paço. Em nosso redor temos um fabuloso conjunto arquitectónico  de edifícios, edifícios esses adornados de arcadas em todo o redor. Como nada neste local foi deixado ao acaso, e porque a reconstrução da cidade foi feita por nomes ligados à maçonaria (Karl Mardel, Manuel da Maia e Eugénio dos Santos), tudo tem um propósito bem vincado, apesar de alguma secreta discrição. Contando todos os arcos, reparamos que totalizam 78 arcos. Poderiam ser mais ou menos, mas não, são exactamente setenta e oito arcos.
Pormenorizando agora a contagem, os arcos estão distribuídos da seguinte forma:
À esquerda da Rua Augusta – 11 arcos, à direita a Rua Augusta – 11 arcos, o que totaliza 22.
A ladear a Praça temos de cada lado 28 arcos, totalizando 56.
Perante estes dois conjuntos de números, 22 + 56, vamos seguir este raciocínio:
 O Livro de Thot, (Tarot) é, como se sabe, constituído por 78 cartas ou lâminas, originalmente de ouro fino ou crisopeico e prata argiopeica, pertencendo as primeiras 22 lâminas aos Arcanos Maiores, ou Esotéricos, e as restantes 56 aos chamados Arcanos Menores, ou Exotéricos. Existe uma intencionalidade na própria arcaria do Terreiro do Paço ultrapassando, sem dúvida, a sua função estrutural da sua arquitectura. Os edifícios laterais contêm 28 arcos cada um, cuja soma total é de 56 arcos, ou Arcanos Menores.
Na fachada principal, à direita e à esquerda do Arco da Rua Augusta, contamos, por outro lado, 22 arcos, 11 em cada direcção. Ora 22 arcos correspondem, exactamente, ao número dos 22 Arcanos Maiores ou Iniciáticos.
Se aplicarmos a cada arco o arcano que lhe corresponde, obtemos a chave interpretativa de um ciclo completo de manifestação: relativamente aos 56 arcos, a manifestação profana, e quanto aos 22 arcos frontais, entre as Rua do Ouro e da Prata, a realização oculta.
Nota: Datado de 30.7.1951 e extraído da obra do Prof. Henrique José de Souza, O Livro do Loto, uma pequena nota que suporta algumas das teses sobre o que atrás se escreveu:
“…Repare-se como o Arco da Rua Augusta se parece com o do Palácio da Aclamação, na capital baiana. Virtvtibvs Maiorum Vit Sit Omnibvs Documento. PPD (Pecunia), P(ublica), D(icatum), "As Virtudes dos Maiores para Ensinamento de Todos". De cada lado do referido Arco da Rua Augusta, figuram 11 portais. Ele é, portanto, o 23.º, como primeiro Arcano Menor. A estátua do frontispício, na sua parte mais alta, coroa um Homem e uma Mulher”.

A ESTÁTUA DE EL-REI D. JOSÉ À IMAGEM DE S. JORGE
Num pequeno exercício interpretativo podemos descobrir para além do simbolismo superficial e explorar o verdadeiro significado da escultura que embeleza a bela praça da baixa pombalina. Até porque, quer quem idealizou, quer quem esculpiu, possuía no seu carácter a arte e o saber iniciático de confrarias esotéricas, fossem elas (Neo) Templárias ou Maçónicas.
O cavaleiro da estátua, empunhando o ceptro imperial mandatário e cobrindo-se com um manto, semelhante aos que usavam os cavaleiros da ordem de Cristo e cuja montada branca esmaga a seus pés as vis serpentes, eternos símbolos de forças inferiores e demoníacas, sugere ser a própria imagem de S. Jorge, o Vigilante Silencioso da Pátria Lusitana. É curioso observar que D. José traja da mesma forma que os imperadores romanos. Todos estes aspectos nos remetem para a sacralidade o seu portador. Igualmente curioso, é observar que o cavaleiro possui uma farta cabeleira em cachos soltos, dando um aspecto de uma personagem do Norte da Europa.
Se recuarmos ao cerco da cidade de Lisboa, pelas tropas de D. Afonso Henriques, sabe-se que alguns templários estiveram envolvidos na preciosa ajuda da tomada da cidade. Estes cavaleiros eram na sua maioria oriundos de Inglaterra. No campo de batalha, estes cavaleiros ingleses, gritavam o nome do seu santo protector – Saint George – sendo que a infantaria de D. Afonso Henriques os seguia nesses cânticos aquando dos assaltos à cidade. Adoptando este grito e adaptando-o à língua portuguesa, rapidamente passou a ser o Santo a quem todos atribuíram a libertação da cidade de Lisboa, dos infiéis e das tais serpentes. De Saint George a S. Jorge, salvador da cidade, foi algo que ocorreu naturalmente. Interessante Ainda o facto de que na maioria das representações de S. Jorge, é comum vermos um santo cavaleiro de longos cabelos loiros, a cair em cachos sobre os ombros, numa montada branca a exterminar algum réptil.

AS ALCACHOFRAS NO CIMO DOS MONUMENTOS
Se olharmos para o cimo dos edifícios, bem como para os telhados de muitas igrejas reparamos que existe um grande número de alcachofras a adornar os seus beirais. Mas porquê a alcachofra?
Uma antiga tradição popular, que se realizava por altura dos santos populares e pela comemoração dos festejos de S. João (esse santo tão querido às ordens maçónicas), ditava que se saltasse as fogueiras, mas não uma fogueira qualquer. A essa fogueira teriam de ser arremessadas cabeças de alcachofras.
Bem, seguindo o ritual, ao queimar uma cabeça de alcachofra seria de esperar que ela carbonizasse e se tornasse negra. Mas não, fica antes branca e alva. O que nos remete para o ritual da purificação pelo fogo, do renascimento após a morte alquímica, sendo que o branco alvo remete sempre para a pureza espiritual. Tal como a Fénix, aquela ave mitológica que renasce das cinzas após ser consumida pelo fogo. Assim, a colocação das alcachofras poderão representar o renascimento espiritual do mundo por descobrir ou o ressurgimento a partir das cinzas da cidade de Lisboa pós-terramoto.

AS RUAS DA BAIXA POMBALINA

1- UMA PERSPECTIVA MAÇONICA
Passeando agora calmamente pelas ruas da baixa, podemos também questionar qual o seu significado.
Vejamos agora o que nos reservam as três ruas que compõem o conjunto do Grande Templo, não sem antes passarmos pelo nomes, Ouro, Prata e Augusta.
OURO: O Ouro puro, objectivo alquímico final era representado pelo glifo(1) do Sol. Quando pensamos em ouro, pensamos também em luz,pensamos em dia, em força que por associação nos leva a elemento masculino – Homem.          (1) – Glifo: Círculo com um ponto no meio
PRATA: Na Alquimia, a Lua simboliza um outro metal importante, a prata. A prata era tida como feminina e lunar pois é frágil e por corroer-se facilmente sendo colocada em contacto com qualquer ácido ou agente agressivo (masculino). Outro processo que estava associado ao símbolo lunar é a “Unio Mystica”, processo onde a prata é acrescentada à obra alquímica que objectiva o ouro (sol). Esta união é o que na astrologia chamamos de preencher as carências da Lua através do Sol.
Assim, pensar em prata é pensar em Lua, escuridão, negro, noite, obscuridade, passividade, emotividade, em Mulher.
AUGUSTA: O que será algo augusto? Augusto significa ser-se supremo, ser-se superior, o mais importante.
Uma pequena passagem histórica pode interligar estes três elementos da toponímia da baixa pombalina:
Segundo os cânones diplomáticos, Pombal regressa a Lisboa em 21 de Dezembro de 1743. Em 14 de Setembro de 1744 recebe instruções de embarque para a corte de Viena onde chega em 17 de Julho de 1745. É nessa cidade que é iniciado maçon por influência do Imperador Franz I, um dos maiores maçons da Germânia.
Então o que é um Imperador senão uma Augusta e Suprema persona. Como maçon que era, Marquês de Pombal, e prestando obediência ao imperador, figura por quem nutria elevada estima e respeito, decidiu homenagear com a Rua Augusta, simbolicamente, a sua imponente figura, ladeadas por tão importantes símbolos maçónicos, o Sol e a Lua.

Um pequeno trecho do Livro de José Braga de Gonçalves "O Maçon de Viena", ilustra-nos pouco mais sobre a simbologia maçónica oculta nas ruas da baixa:

“(…) Assim se satisfaziam todos os gostos e requisitos maçónicos no tocante a pares de colunas à entrada do Templo-alto: duas para quem vem do Tejo, duas para quem entra na praça por terra e duas, monumentais e apenas visíveis na planta geral, demarcando a antecâmara da Cidade-Templo, a Praça do Comércio.
Fosse por onde fosse, passando duas colunas, surgiam em frente as três portas frontais do Templo de Salomão: a do meio para os Mestres e, de cada lado, uma para os companheiros e outra para os aprendizes, formadas pelas embocaduras das ruas Augusta, do Ouro e da Prata.
Depois, franqueando aquelas, surgiam três fiadas de prédios dispostos horizontalmente, por oposição aos seguintes cinco, dispostos verticalmente.
A interpretação tornava-se subitamente cristalina.
As três primeiras fiadas de prédios na horizontal representavam os três passos de entrada em Loja do aprendiz, passos ritualmente curtos e receosos ante o desconhecido.
As outras cinco fiadas de prédios, dispostos na vertical, significavam os cinco passos de entrada em Loja dos companheiros. A soma dos dois dava o número de passos de entrada em Loja dos mestres. (…)”
In O Maçon de Viena
José Braga Gonçalves – Prime Books

2- O CADUCEU DE MERCÚRIO
No entanto, se nos quisermos soltar um pouco da simbologia maçónica e olhar para todo este complexo conjunto de simbologia, podemos observar o seguinte:
Do Terreiro do Paço partem as principais artérias: Rua Augusta, Rua do Ouro e Rua da Prata. Quando dizemos artérias aplicamos o termo próprio, pois é de artérias que se trata. As Ruas do Ouro e da Prata, com a Rua Augusta, representam o caduceu de Hermes, ou de Thot, e como é sabido, o caduceu compõe-se duma coluna central em torno da qual sobem duas serpentes, uma dourada e outra prateada, respectivamente uma solar e outra lunar. As duas serpentes significam igualmente as duas energias fundamentais do universo, os contrários que se contemplam, atraem e repelem.
Estas serpentes representam e são as artérias pelas quais flui a energia serpentina vital, desdobrada nos seus dois aspectos complementares: o lunar que é frio e passivo, enquanto o solar é quente e activo.
Na simbólica tradicional o ouro expressa o Sol e a prata a Lua. Torna-se claro que a Rua do Ouro corresponde ao aspecto solar do caduceu, a Rua da Prata ao lunar e que, finalmente, a Rua Augusta simboliza o bastão central, canal de fusão e síntese destas duas forças polares.
Através do caduceu pombalino temos acesso às sete colinas ou selos da Boa Liz: S. Vicente, em Alfama; St.º André, na Graça; S. Jorge, na Mouraria; S. Roque, no Bairro Alto; St.ª Catarina, a partir do Camões; Santana, sobre o Largo da Anunciada, e Chagas, no Carmo. Interpretar estes sete padroeiros é interpretar o enigma críptico de Lisboa… um desafio para outra oportunidade.




sábado, 13 de fevereiro de 2010

LISBOA, O SOL ESTA NOITE NASCEU SÓ PARA TI...

A noite, beleza infinita de ecos e sombras
A noite que ousa abraçar e diluir todas as formas
A noite onde mais que uma ausência se reclama a dor  
A noite, onde face ao luar nos apaixonamos pelo silêncio 
A noite, essa ausente de amor senão nas luzes.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A CIDADE QUE EXISTIU POR DETRÁS DE MIM


Celebro o nascimento de um novo homem, o protótipo isento de sensibilidade, saudável, amoral, dominador, livre de obstáculos. Condeno o excesso de honestidade dos burgueses, o cheiro a falsidade. Na cidade tudo mexe, sente-se o cheiro do carvão, a pena não pára e a tinta corre nos papéis. É verdade, o cérebro está mais livre, ocorrem-me novas ideias.

Sinto-me estupidamente excêntrico, invadido por uma morbidez Snob de um saturado da civilização, sinto a embriaguez do Ópio e dos sonhos de um Oriente que já não existe, o horror à vida, o realismo satírico de uma desumanização total. É a «Decadência» que mata a Decadência no Século da «Decadência».

Na Arte tudo é moderno, desenvolve-se o jogo das cores, o som das palavras e cria-se a sensação de dinâmica que lembra a vibração nocturna dos arsenais e dos estaleiros. Agora são as máquinas que reinam na sociedade que se tornou industrial. O orgulho começa a desfilar pelas ruas. Ou talvez não? Mesmo assim julgo que apenas poucos têm capacidade para o observar?

Viva a transformação, viva o que é moderno, viajar ainda é viajar e o longe está sempre onde esteve. Em parte nenhuma graças a Deus. Tudo vale a pena, é melhor o impreciso que embala do que o certo que basta. Apetece-me partir sair por aí, alcançar a distância abstracta, SONHAR. O sonho é ver as formas invisíveis da distância imprecisa, não pensar. Porque pensar é duvidar e crer é morrer, então a fé é apenas o pensamento a querer enganar-se eternamente.

Sinto a brisa, o ar livre e o canto das gaivotas, amo as cores, a comunicação, as imagens, a luz transcende-me. Gosto do Sol !!! Quando raia a manhã, raia sempre no mesmo lugar, gozo os seus momentos orgíacos de delírio, de imaginação, é um ritmo amplo em que os meus pensamentos se sucedem desordenadamente, em caudal, repetidos quando não ocorrem outros, mas repetidos. Oscila entre o filosófico e o quotidiano charro.

Nas colinas da cidade, a silhueta do castelo disfarça um sentimento que acabou de chegar. Pequenas tertúlias debatem as novas correntes e o pensamento é invadido por todos os «...ismos» europeus. Discute-se a humanidade ou apenas Arte.

Apesar da agitação estou confortável, …. Não me apetece voltar aos meus dias!!!